TorGuard — abreviação de Torrent Guard, sem relação com a rede de anonimato Tor — é operada pela VPNetworks LLC, sediada em Orlando, Flórida. Fundada por Benjamin Van Pelt, é um dos poucos provedores de VPN independentes e com capital próprio ainda existentes, sem investidores externos ou aquisições corporativas. A jurisdição nos EUA a coloca dentro do território dos Five Eyes e, ao contrário da PIA, que possui comprovação judicial de ausência de logs, a TorGuard nunca passou por uma auditoria de segurança independente. A validação mais próxima do mundo real ocorreu quando Van Pelt foi pessoalmente processado na Grécia após um usuário anônimo cometer fraude com cartão de crédito por meio de um servidor da TorGuard — ele foi absolvido porque as autoridades gregas não conseguiram vincular a atividade a nenhum usuário específico.
O conjunto de recursos é voltado para usuários avançados. A criptografia é configurável pelo usuário entre AES-128, AES-256 e Blowfish-CBC. O suporte a protocolos inclui OpenVPN, WireGuard e IKEv2, além de ofuscação stealth baseada em Stunnel que penetra de forma confiável no Grande Firewall — uma afirmação que poucas VPNs conseguem comprovar. O encaminhamento de portas e o suporte a proxy SOCKS5 a tornam robusta para compartilhamento de arquivos P2P, e opções de IP dedicado (residencial e de streaming) estão disponíveis como complementos pagos.
No entanto, a interface recebe consistentemente avaliações negativas. Múltiplos avaliadores descrevem os aplicativos para desktop e mobile como desajeitados, confusos e pouco intuitivos. A troca de servidor exige uma desconexão completa. O kill switch funciona no desktop, mas está ausente no iOS e no Android. O split tunneling é limitado apenas ao Android. Não há recurso de multi-hop ou VPN dupla. O WireGuard, embora suportado, apresentou desempenho não confiável nos testes de 2025-2026 — o CyberInsider registrou velocidades tão baixas quanto 9 Mbps em servidores de Los Angeles com uma linha de base de 500 Mbps.
O acordo antipirataria de 2022 mudou fundamentalmente a proposta de valor da TorGuard. Vinte e cinco estúdios de cinema entraram com processo após documentar 97.640 avisos DMCA não encaminhados e 250.000 instâncias confirmadas de infração. O acordo exigiu que a TorGuard bloqueasse permanentemente todo o tráfego BitTorrent nos servidores dos EUA por meio de firewall. Para um serviço chamado Torrent Guard, trata-se de uma ironia definitiva. Os servidores fora dos EUA ainda oferecem suporte completo a P2P, mas a restrição elimina o principal caso de uso para grande parte de sua base original de usuários.
O histórico da TorGuard inclui uma violação de servidor em 2017 em um datacenter terceirizado, divulgada publicamente apenas em 2019, quando chaves roubadas apareceram online junto com dados da violação da NordVPN. Um certificado de proxy Squid e arquivos de configuração do OpenVPN foram comprometidos. A TorGuard sustenta que o certificado TLS roubado já estava expirado e que a chave CA principal não foi afetada. O intervalo de dois anos na divulgação espelha o tratamento dado pela NordVPN à sua própria violação e levanta as mesmas questões de transparência.
O processo judicial contra a NordVPN adiciona mais contexto. Em 2019, a TorGuard processou a NordVPN alegando ataques DDoS orquestrados e chantagem — afirmando que a NordVPN ameaçou divulgar informações de segurança prejudiciais, a menos que avaliações negativas no YouTube do canal Tom Spark Reviews fossem removidas. A NordVPN contra-argumentou que descobriu os arquivos de configuração de servidor da TorGuard acessíveis publicamente online e divulgou a vulnerabilidade sem condições. O caso foi arquivado por questões jurisdicionais sem que os méritos fossem analisados.
Os preços são complicados. O plano Standard, a US$ 4,27–10,99/mês, cobre a VPN básica sem acesso a streaming. O plano Pro (US$ 7,64–14,29/mês) adiciona um IP dedicado e suporte a streaming com 12 conexões simultâneas. O streaming no plano Standard requer um complemento de US$ 7,99/mês, tornando o custo efetivo comparável ou superior ao de concorrentes que incluem o streaming no pacote. A garantia de reembolso de 7 dias é a mais curta do setor. Pagamentos com criptomoedas, incluindo Monero, são aceitos.
O desempenho de velocidade varia significativamente entre os testes. A vpnMentor mediu apenas 9% de redução de velocidade em servidores próximos, enquanto o CyberInsider encontrou velocidades caindo para menos de 50 Mbps em uma conexão de 500 Mbps. A ProPrivacy registrou uma média de 22,6 Mbps com picos de até 303,8 Mbps. A inconsistência sugere que a qualidade dos servidores varia conforme a localização.
A rede de servidores abrange mais de 3.000 servidores em mais de 50 países — menor do que a da NordVPN, ExpressVPN ou Surfshark, mas adequada para a maioria dos casos de uso. A TorGuard utiliza resolvedores DNS proprietários com alternativas opcionais de Cloudflare, Google, Quad9 ou OpenDNS. Servidores somente em RAM são mencionados, mas não verificados sem uma auditoria independente.